terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Encontros Raros.

Tomo este café feito de noite, em um cabaré cheio de putas. Carrego um olhar que procura a sensação de encontro.

Meus olhos sobrevoam o lugar, e pousam em outro canto, sobre uma senhora sentada. Seu peso naquela cadeira poderia quebrá-la. No olhar ela carregava a sensação de cansaço. Passou-me pela cabeça que podia ser a desistência.

Meus olhos cansaram-se também, e levantaram-se até o escuro de minhas pálpebras. Procurando ali o conforto e o silêncio da solidão. Mas então mil pensamentos distantes ecoaram em meus ouvidos... contraditórios e sem sentido, agarravam-se uns aos outros formando cadeias e cadeias de raciocínios furados. A maioria deles sobre o amor. Meus olhos avermelharam e abriram como um suspiro. Retomaram o foco no outro lado da sala, sem a menor sede de procura, imobilizaram-se, então vi uma garota sentada com as pernas cruzadas sobre uma cadeira alta. Ela fumava um cigarro com uma elegante postura erguida. Seus olhos também tinha vida. Abaixo de uma franja lisa e fina, eles eram serenos mas atentos, e logo perceberam os meus.

Neste instante, quando nossos olhos se encontraram, meus pensamentos todos, cadeias e cadeias de raciocínios furados, quebraram-se, perderam-se, desarrumaram, separaram-se e morreram.

Não havia uma só palavra na boca, e no rosto mais nenhuma expressão esperta. Meus olhos eram donos de mim. Com a mente limpa e olhos abertos, eu vi aquela garota.





Um comentário:

mike zanette disse...

este me deixa extasiado.